Parágrafo único

Primeira postagem de 2012 de uma das pessoas mais importantes pra mim, foi pra mim, nada mais justo que o meu primeiro texto, seja dedicado à ele, certo? Afinal, 90% da razão, motivo e circunstância desse tumblr é ele. Nos primórdios da internet, fiz um fotolog. Depois arrisquei um blogspot. Não vingaram. Não quero nada de comentários, odiei o orkut quando passou a permití-los nas imagens, nos status, em tudo. É tão difícil apreciar uma imagem, um texto, em silêncio? Compensando a anatomia, o povo fala sem ter dó. São dois olhos, dois ouvidos, mas a boca é uma só. Que tal falar menos e ouvir mais? É o que está em alta hoje. Psicólogos não contam, eles ganham pra isso. Pra falar a mesma ladainha. Não se mate, a vida é linda e blá blá blá. Sabe aqueles clichês que dizemos aos desconhecidos e eles agradecem? Nessas horas vejo o quanto é fácil manipular alguém. Eu não agradeço, porque não me sensibilizo. Mas deveria, deveria mesmo. É que ainda estou caminhando. Minha vida ficou tão mais fácil quando aprendi a me importar menos com tudo. Aprendi que é mais fácil dizer que concorda com alguém pra pessoa calar a boca e fazer as coisas do jeito que você quer que tentar defender suas ideias e seus pontos de vista com unhas e dentes. A filosofia do “é, tens razão” evita dor de cabeça e no fim você ainda pode esfregar na cara da pessoa como você estava certo. Só não estou contrariando meus dizeres sendo só mais uma reclamona em meio a tantas, porque não quero público. Logo, não há espetáculo. Que meu único leitor, além de mim, seja meu amigo. Eu, porque exercito minha escrita e organização de pensamentos, ainda que soltos traduzidos em palavras para que ele possa entender o que eu também não entendo. Ele, porque esse é um dos escassos meios de comunicação entre a gente. E porque também é o único que teria paciência pra ler meus textos sem sentido, que se submete a embarcar nas minhas viagens. Meu amigo mais sensível, apesar de nem sempre concordar com isso. Ele acha que não me conhece como gostaria. Eu tô aqui numa tentativa de reverter. Contarei meus dias, minhas indignações, e principalmente pra puxar a orelha dele. Sei que nada sei, mas talvez ele possa aprender um pouquinho comigo. Se seu jogo é de palavras, é com palavras que vou jogar. Deixo claro que nem sempre lhe direi o que tu quiseres ouvir, e sim o que precisares. Talvez fique com raiva, mas nunca será essa minha intenção. Se eu não me importasse contigo, não falaria nada. Você não tá bem, eu pressenti. Senti. E constatei. E me vejo tanto em ti… É difícil mesmo essa fase, crescer dói. Ver que o mundo não é como queríamos, e pior: ver que não somos o que queríamos ser. Mas quem é? Parece que nossa dor é única, que as outras pessoas são perfeitas, e somos os monstros quando as magoamos. Pela minha falta de amor-próprio, por muito tempo pensei assim, sempre me inferiorizando, quando, na verdade, baixo são os outros. Hoje vivo assim: que me engulam. Não gosto de mim? Ok. Mas gosto de muita coisa que dão sentido à minha existência. Que me fazem feliz quando eu não posso me fazer. E assim me faço. Me desfazendo. Me desvanessendo. Sabe, Rodrigo, não sou a mais propícia pra te falar alguma coisa que lhe faça bem, uma vez que sou depressiva também. Mas a Ana Carolina também é, toma antidepressivos até. E mesmo assim faz bem à uma legião de fãs, inclusive, nós. Meu intuito também é mostrar que apesar da distância, da falta de tempo e de todos os pesares, pode deixar, quando a solidão apertar, olhe pro lado, eu estarei por lá.

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